sábado, maio 02, 2009

O último capítulo

Depois de quase duas décadas ocupando uma área indígena sem ter pago nada por ela, sem respeitar meio ambiente e pegando grana a rodo do Estado, o naziarrozeiro Paulo César Quartiero se fez de vítima antes de desocupar a reserva Raposa Serra do Sol, na sexta-feira.
Depois de destruir tijolo por tijolo suas fazendas (foto acima), pelas quais a União indenizou, para que os bens não ficassem para os índios, Quartiero improvisou um banco de madeira e sentou para esperar os agentes federais retirá-los à força.
Não havia mais motivo para que ele continuasse lá. Mas quis sair afrontando e planejou ser preso pela Polícia Federal e Força Nacional de Segurança. Queria sair vitimizado, pois sabia que ser preso significava ampla divulgação de seu nome.
O naziarrozeiro queria mídia para continuar com seu plano de fazer campanha eleitoral antecipada sem pedir um único voto.
Mas as autoridades federais, mesmo afrontadas, decidiram manter a calma e vencê-lo pelo cansaço.
Gritou com agentes federais, os chamando de “brucutus bombados”, tripudiou com soldados da Força Nacional e ainda ironizou o desembargador Jirair Meguerian, presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região, o chamando de despreparado por redigir a mão um acordo para que ele deixasse a reserva indígena.
Como seus planos era ser preso e chegar triunfal em Boa Vista nas mãos dos federais (contra quem lançou molotovs), dispensou todos os funcionários e ficou a pé, sozinho, na fazenda.
Já que não houve prisão e, sem carona de volta, sem ninguém para ajudá-lo, Quartiero foi deixado na fazenda, em uma cena que não sensibilizou nenhum dos ofendidos que lá estavam.
Sem saber que Quartiero estava a pé, no mato sem cachorro, o seu fiel escudeiro, o deputado federal Márcio Jaqueira, ops, Junqueira (DEM), disse que não voltaria com a comissão do desembargador, de helicóptero, e que ficaria em solidariedade ao naziarrozeiro.
Quando descobriu que Quartiero estava a pé no meio do nada, numa fazenda arrasada por ele mesmo, se desesperou:
- Meu Deus, Quartiero. Cadê o seu carro? Você não me disse que estava sem carro.
- Dispensei todo mundo, estou a pé. E cadê seu carro?
- E agora, o que vamos fazer? – desesperou-se mais uma vez, Jaqueira, passando a mão na cabeça.
Não poderia ser uma cena mais melancólica. As tropas federais saíram em comboio, com a noite já caindo, o desembargador decolou no helicóptero, e a dupla Quartinaziarrozeiro e Jaqueira ficou sozinha, a pé, sem ter a quem recorrer.
- Por favor – pediu Jaqueira numa voz não habitual, quase sumindo, a uma jornalista – Quando chegar a Boa Vista ligue para alguém vir buscar a gente.
E assim, terminaram 30 anos de luta dos índios para que suas terras usurpadas fossem desocupadas por não-índios, principalmente os arrozeiros que se valeram do dinheiro, do poder, da esmola, da discriminação e da pistolagem para afugentar os índios e seus aliados.
Uma nova realidade agora espera pelos povos indígenas de Roraima...

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