quarta-feira, junho 03, 2015

Mall do Planalto Central

Jessé Souza*

A Câmara e o Senado aprovaram, na semana que se passou, a construção de um shopping em um anexo do Congresso Nacional. O empreendimento vai custar R$1 bilhão e inclui a construção de novos gabinetes. Esse é o valor da zombaria com a cara do povo. É como se os nobres pares não estivessem nem um pouco preocupado com a crise financeira e política pela qual o país atravessa na atualidade.

O deboche é mais um episódio de como o Brasil precisa passar por uma faxina moral de cima para baixo e de baixo para cima. Os políticos perderam completamente a vergonha. Como eles já se mostraram “vendáveis”, então nada correto, por parte deles, do que oficializar o mercado instalando um shopping no Congresso, transformando esse centro do poder em um centro comercial de compra e venda.

O shopping é a concretização do mercado político. Os parlamentares se vendem para empresas que bancam suas campanhas eleitorais e gastam seu rico dinheiro fazendo compras sem sair do Congresso. E poderão passear livremente porque, com certeza, não será qualquer povo que terá condições de gastar no novo Mall do Planalto Central (para rimar mesmo e com trocadilho!).

Outro fato que chama a atenção é que a Câmara Federal está sendo comandada pelo que há de maior retrocesso político, tudo devidamente carimbado pelo voto do povo. É o desavergonhamento oficializado, sem disfarce e sem meias palavras, pois os parlamentares sabem que eles tudo podem  quando estão com o aval popular.

Antes do shopping, a Câmara chegou até anunciar passagens aéreas para as esposas dos deputados irem visitar seus maridos em Brasília. Esse novo golpe na moralização só não foi concretizado porque os nobres pares não queriam correr o risco de serem flagrados, por suas esposas a passeio, com suas “damas de companhia” que circulam pelos longos corredores e refrigerados gabinetes do Congresso. Tão somente por isso, e não porque estavam preocupados com a moralização do bem público.

Torna-se necessário que o eleitor analise o quadro político já vislumbrando as eleições municipais de 2016, pois esses parlamentares que estão no centro do poder (e, mais tarde, de consumo) só estão lá porque foram conduzidos pelo voto. E a eleição de todos eles começa no pleito municipal, onde estão todas as suas bases políticas e dos grandes esquemas.

É por isso que as eleições municipais são importantes e imprescindíveis para se chegar a 2018, quando haverá eleições gerais. É também por isso que a população deve ficar atenta desde agora, de olho em quem ela vai escolher como vereador e como prefeito (a). O Município é a base da pirâmide do poder e do desavergonhamento político em nível nacional.

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

*Jornalista
jesseroraima@hotmail.com

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