sexta-feira, junho 10, 2016

Do cupim ao caos



A Feira do Produtor é resultado de anos de desgoverno, sem cuidar do básico, que é fazer com que todos tivessem responsabilidade com o bem público, do produtor rural aos feirantes, dos administradores públicos aos fiscalizadores. Ninguém cumpriu com sua parte e aquele espaço de venda tornou-se esse mostrengo caindo aos pedaços.

Por longos anos, o governo serviu apenas como uma figura paternalista, que dava da semente ao adubo, do caminhão da feira ao espaço público, sem cobrar contrapartidas, sem fiscalizar e sem fazer com que o bem coletivo recebesse manutenção para que não chegasse à situação atual.

A partir de uma decisão judicial, que mandou fechar a Feira do Produtor, todos descobriram o óbvio: que o governo foi incompetente na missão de gerir o bem público, que o feirante e produtor foram negligentes com seu espaço de trabalho e que ninguém mais estava fazendo a sua parte, a não ser o consumidor que, apesar da estrutura precária, ainda vai lá fazer suas compras.

Mas o buraco é bem mais embaixo. O governo não vem cumprindo com suas tarefas mais comezinhas há muito tempo, pois os governantes estavam (ou estão) mais preocupados com as obras que representam grandes cifras, a ponto de não querer saber de administrar o que não gera lucro para eles.

Na administração passada, a qual classifiquei como “governo cupim”, as coisas deram uma desandada sem precedentes, pois os cofres públicos foram atacados de tal forma que as escolas ficaram caindo as pedaços, as feiras se deterioram, os hospitais sucateados, as polícias largadas e o sistema prisional entregue aos bandidos.

Tem mais: o setor energético ficou em situação crítica nos municípios, as pontes e estradas que servem aos agricultores chegaram à situação de calamidade, a questão fundiária tornou-se caso de polícia e as contas do Estado comprometidas, a ponto de o Executivo não conseguir mais honrar com seus compromissos, como o repasse do duodécimo e pagamento de fornecedores. Deus queira que não falte recurso para pagamento do funcionalismo público.

A Feira do Produtor é apenas um pequeno reflexo do que anos de descaso e farra com o dinheiro público fizeram com o Estado de Roraima. Com um pouco de inteligência e ação política, a questão dessa e de outras feiras podem ser resolvidas em curto espaço de tempo. O problema é que nós, simples mortais, não sabemos o tamanho desse rombo e a extensão dele.

Pior: sequer foi cumprida a promessa de que a atual administração iria fazer uma auditoria nas contas e responsabilizar culpados. Também pudera. Parece que esse governo está agonizando, patinando sem conseguir sair do lugar. Acho que devemos nos preparar para o pior...

P.S.: Artigo publicado originalmente na Folha de Boa Vista

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